Por Keyllen Nieto

Pródigo com o mundo das palavras, o cearense Gero Camilo é mais uma das múltiplas fontes de riqueza literária e performativa que o nordeste traz para o Brasil. Poeta, ator, cantor, compositor, escritor e dramaturgo, sua figura miúda e voz melódica transmitem uma sensibilidade profunda. Amante da escrita, ele publicou seu primeiro livro ainda na adolescência utilizando-se da tipografia e linotipo e publicará em breve o livro de contos “Cajita de Monerías”.

A loucura acompanha a poesia, e é a composição da loucura, dentro da qual encontra a liberdade. Busca a destruição do glamour artístico e fica feliz na realização poética e não no material. Gero Camilo se declara adepto da poesia política e especialmente nas composições do cantor, poeta, compositor e advogado paraibano Geraldo Vandré. Como bom nordestino, aprendeu a rimar e encontra ali uma forma de manifestação política. “A palavra é o que determina a ação. É uma argila, comunicação direta, materializa. É o gozo do tesão poético”, afirma.

Profunda e abertamente politizado, encontra no desrespeito à palavra, um motivo para a revolução. Revolução que também relaciona ao fato de ter se declarado homossexual no meio aos religiosos da teologia da libertação que acompanhava desde jovem. Gero Camilo vê sexo em tudo, pois é a celebração da vida e se enxerga como um abismo profundo no qual os ventos sopram tão fortes para cima, que não nos deixam cair.

Fernando Pessoa, João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e Mario de Andrade são referências permanentes que o inspiram não só para escrever e compor, mas também no momento mágico em que a claquete do cinema soa para dar largada a uma das suas grandes paixões: a atuação.

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