por Greta Benitez

Rosana Banharoli é, já para começar, uma figura poética, com sua indumentária-figurino e olhos quase pura luz. Isso nos faz perceber, de imediato, que ela entende a poesia em seu maior significado, que transcende as palavras. Como  a poesia da famosa Figueira da Casa do Sol, onde morou Hilda Hilst e que atualmente funciona como centro cultural. Rosana visitou o local e trouxe um pouco da casca da árvore para senti-la sempre perto.

 

A poeta, como prefere ser chamada -nunca poetisa- chega ao estúdio, numa das noites mais frias do ano, nas palavras dela: com recepção de estrela de cinema. Insiste em afirmar um nervosismo que não nos parece perceptível, para logo depois estar falando com a câmera com toda a desenvoltura de uma real estrela.

 

Diz quando criança usava roupas do avô e deitava criando histórias ouvindo o rádio da mãe. Depois de adulta, passou por uma experiência dramática, sendo obrigada a viver por 10 anos encarcerada- estava instalado o pânico.

 

Foi aí que a poesia veio como uma chave para sua prisão. E ela tinha essa chave nas mãos, no seu papel. Nesse momento surge a figura da poesia como uma salvadora. Por meio de uma oficina de João Silvério Trevisan, Rosana fez os textos fluírem, tornando melhor o conteúdo da sua vida, segundo suas próprias palavras.

 

Para ela, a poesia se encontra na rua, na calçada, em todo parte. Por isso, nos dias de hoje, ela trabalha também levando poemas para todo tipo de local, como o shopping, por exemplo. Segundo ela, a poesia ajuda a nos tornarmos fortes, gentis, tarados. Enfim: Se todos agissem com a sensibilidade dos poetas, o mundo seria melhor.

Jornalista por formação e poeta por teimosia, Rosana Banharoli é autora de Ventos de Chuva, Poesia (Scortecci)e 3h30 ou Quase Isso (verso&prosa,e-book,Amazon). Tem mais de 50 prêmios literários e participações em 28 antologias. Publicada em diversos sites, blogs e revistas literárias, também é Coordenadora de Linguagem da Casa da Palavra da Secretaria de Cultura e Turismo de Santo André, onde vive, e é Curadora e idealizadora da Fliparanapiacaba.

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